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Month: setembro 2018

Motocross das Nações: Jorge Balbi deixa a comissão técnica brasileira

Jorge Balbi não acompanhará a Seleção Brasileira no Motocross das Nações 2018

Jorge Balbi


Quando foi anunciada a Seleção Brasileira para o Motocross das Nações 2018, uma das boas novidade do time deste ano foi que teríamos Jorge Balbi como chefe de equipe. A prática de recrutar ex-pilotos de renome como conselheiros dos atuais pilotos é recorrente nas principais equipes não só no Nações, como também nos principais campeonatos do globo como o Mundial ou AMA Motocross.

A lógica é simples: do lado de fora, alguém com grande experiência enxerga um horizonte mais amplo que os atuais competidores. As palavras certas nos momentos podem não apenas ajudar os pilotos a vencer determinadas dificuldades, como também -mais importante – evitar outras. Com toda a sua experiência internacional, Balbi teria muito a contribuir para o sucesso da nossa seleção.

Com surpresa tomamos conhecimento hoje que Jorge Balbi não integrará a comitiva que vai a RedBud, Michigan, para a disputa do evento nos dias 6 e 7 de outubro. Confira baixo suas palavras, reproduzidas de suas redes sociais:


Jorge Balbi no Nações 2011, na França


“Venho comunicar que não estarei acompanhando, o Team Brasil no MXDN 2018. Aceitei o convite da CBM, do Cacau e do Cezinha sendo o primeiro, chefe da delegação e organizador do time. Logo no início do meu trabalho, como coach/chefe de equipe, acredito termos conseguido uma imensa vitória! Muitas pessoas envolvidas no motociclismo, pressionaram e tentaram me fazer pender para um lado X ou Y na escolha. Porém pela primeira vez na história teremos um time 100% independente de um fabricante ou patrocinador, mas sim os pilotos que acreditei e acredito serem os melhores e mais capacitados para representar o Brasil.

Continuei a trabalhar, junto ao Cacau, buscando maneiras de viabilizar o time, apesar dessa não ser uma tarefa minha. Procuramos divulgar ao máximo, para que a indústria envolvida no MX pudesse apoiar financeiramente a seleção brasileira. O tempo passou e o apoio não aconteceu. Há duas semanas atrás, foram compradas as passagens da delegação, mas a minha não.

Procurei entender e descobri que a CBM não irá repassar ao organizador do time a taxa de pouco mais de 2mil Euros, concedida pela FIM, como ajuda de custo às equipes participantes. O Cacau alegou precisar dessa verba, para custear parte do investimento, incluindo minhas despesas. Cheguei a cogitar arcar com a minha viagem, mas devido a minha deficiência física, precisaria levar um acompanhante para me ajudar com as tarefas diárias.

Com o dólar a 4 reais, ficou impossível bancar 2 viagens. Conversando com os pilotos, descobri que eles estão pagando suas despesas, o que me deu a certeza de ter escolhido profissionais 100% comprometidos com o time!


Jorge Balbi


Agradeço o carinho e apoio dos fãs até aqui e tenho imensa confiança que o Brasil irá voltar às finais e vai integrar a elite do MX mundial. Poderia simplesmente não me pronunciar, mas creio que os fãs do MX e até mesmo aquela minoria que adora criticar os pilotos quando o resultado não é o esperado, entendam a real situação de ser piloto profissional no Brasil.

Meu objetivo não é apontar culpados, mas sim enaltecer esses jovens pilotos que estão se dedicando para nos representar. Grande abraço e toda sorte do mundo a esses garotos que têm meu apoio, respeito e minha torcida! Go Brasil!”

Piloto americano comenta transição das motos a combustão para elétrica

 Nate Adams

 


Segundo Adams, apesar do receio inicial, a transição para a Redshift foi “simples e suave”


Nate Adams é um dos maiores ícones do freestyle motocross. Piloto com inúmeras conquistas, e  que recentemente tomou decisão ousada: Tornou-se o primeiro freestyler a pilotar em tempo integral uma moto elétrica. A Redshift, fabricada pela startup californiana Alta Motors, moto que já recebeu bastante atenção por seus quesitos técnicos. Por isso, resolvi fazer algo diferente para o MotoX.com.br. Entender como é, na prática, a Redshift utilizada no FMX. E recorri a Nate Adams, piloto com o qual convivi durante algumas temporadas do X-Fighters, e quem nos descreve a transição, receios e benefícios práticos da moto elétrica.

Então, com vocês, Nate Adams!

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MotoX.com.br – Nate, hoje o público o enxerga como um embaixador da Alta Motors. Mas o que levou você a acreditar numa moto elétrica como viável para o FMX?

Nate Adams - Pilotei outras motos elétricas há alguns anos, e só de olhar sabia que não tinha como comparar com as motos a combustão. E depois de pilotar não fiquei muito impressionado. A resposta do acelerador era muito fraca, o chassi mal projetado e faltava potência. Mas quando vi a Redshift sabia que era uma moto de verdade. E depois de alguns minutos pilotando sabia que tinha tudo o que precisava para o FMX. Depois de 20 minutos já fazia meus primeiros saltos de FMX, manobras. E minha mente já procurava como fazer a transição para a Redshift.




De acordo com o piloto, resposta e entrega de potência constantes, independentemente da altitude, são dois benefícios práticos para a Redshift no FMX

MotoX – Então, é o futuro?

Adams - Realmente acredito que é o futuro. É uma das razões de querer pilotar essas motos. Não acredito que a transição será do dia para a noite, mas não vai levar muito tempo até essas motos estarem no primeiro escalão do motocross. A AMA vai precisar se ajustar para classificar a potência, criar os regulamentos etc. Isso leva tempo, mas não muito. Quero dizer, quem vai querer pagar uma nota num galão de gasolina se a Redshift tem mais torque e mais potência sem gastar combustível. Não faz sentido. Correr não é barato.

MotoX – Aliás, essa perspectiva de moldar o futuro renovou sua motivação para pilotar?

Adams - Sim, você acertou, a transição para a Redshift me inspirou novamente. Foi uma mudança grande, mas fácil e suave. A adaptação foi rápida, o que motivou ainda mais. Fiquei hesitante antes do meu primeiro dia pilotando, mas as preocupações sumiram assim que comecei a pilotar. 

Pilotei minha moto a combustão por anos. As coisas ficaram meio paradas… A rotina era (pausa)… rotina (risos). Quando comecei com a Redshift a moto despertou uma fagulha em mim. Não sei dizer de outra maneira, a não ser, “ganhei um brinquedo novo”. Pilotar ficou mais divertido, mais do que foi durante um tempo. Me peguei me divertindo mais, aproveitando a nova moto. É diferente porque é elétrico, mas é ágil e com o desempenho que uma moto deve ter. Estava pilotando do mesmo jeito que há duas décadas, mas passou a ser divertido outra vez.

MotoX – Você tem planos para fazer a transição definitiva para a Redshift em breve?

Adams - Não. Porque já fiz (muitos risos). Vendi minha 450, as únicas motos que tenho e piloto são as Redshift MX e a Redshift MXR. Quando assinei com a Alta, em setembro do ano passado, já tinha me comprometido com alguns eventos fora dos EUA. E a Alta não exporta para aqueles países. E o preço para enviar as motos era impraticável. Então, por causa desses compromissos, a Alta foi gentil em me deixar pilotar motos a combustão por mais um tempo. Assim que concluí essas competições passei a pilotar em tempo integral as motos da Alta. Nesse meio tempo em que pilotava as Redshift e voltava para as 450 percebi o quanto preferia a Redshift. É a mesma performance, com o bônus da menor manutenção. O que é importante, considerando que tenho duas empresas, sou marido e pai de dois garotos de dois anos e meio. Tempo é precioso (risos). E a necessidade de menos manutenção é crucial para quem é tão ocupado. 

MotoX – O quão diferente é pilotar uma Redshift comparado a uma “moto tradicional”?

Adams - Há diferenças, sem dúvida, mas como mencionei, a transição foi bem fácil. Nem sabia o que esperar antes do meu primeiro dia com a Redshift, estava preocupado. Mas depois de pouco tempo na moto já saltava grandes distâncias, fazia manobras,  “entortadas” e começava a “flipar”. Há uma diferença da sensação no ar comparado a uma moto a combustão, que tem peças do motor em movimento, gasolina chacoalhando, etc, enquanto a Redshift, não. Acho que há uma ligeira semelhança com uma mountain bike no ar. Mas como disse, nada muito significativo, e qualquer piloto vai se adaptar rapidamente. Tirando isso, a sensação é a mesma. Curvas, saltos e aceleração para os saltos, e mesmo nas rampas, é tudo igual.

MotoX – Há vantagens práticas na pilotagem?

Adams - O bônus do motor elétrico é que não importa onde esteja pilotando, ao nível do mar ou altitudes elevadas, a moto sempre tem a mesma entrega de potência e resposta do acelerador. Participar de competições de FMX em locais de grande altitude é estressante. Normalmente a altitude rouba potência da moto e a resposta rápida do acelerador. Isso muda a velocidade de aproximação, muda como a moto reage na saída do salto, e faz o piloto se esforçar mais fisicamente, o que torna tudo mais perigoso. E o FMX já é perigoso o bastante. 

Outra diferença é eu sempre mudava a relação das minhas 450. Aumentava em três dentes a coroa, para deixar a moto mais esperta. A relação das minhas Redshift são originais. A moto tem bastante força. E a entrega de potência é suave e constante. Então, não há razão para mudar a relação.


Nate Adams incluiu outro feito na carreira: tornou-se o primeiro a competir nos X Games pilotando uma moto elétrica


Moto X – E a falta do ronco do motor causou dificuldades?

Adams - Na verdade, não. Talvez essa seja a maior dúvida. Não sei por que, mas muitos acham que a moto não faz nenhum barulho (risos). Não é o caso. Diria que soa como um carro de controle remoto. Faz barulho, e uso esse barulho para julgar a distância dos saltos, como todas as motos que já pilotei. A única vez que fiquei preocupado foi durante os shows do Nitro Circus, quando fazíamos os “trens”. No meio de 15 motos 450 tinha um pouco de dificuldade para escutar a minha moto.

MotoX – E há vantagens práticas no menor barulho?

Adams - A questão do barulho ajuda bastante. A maioria dos lugares onde treino FMX são propriedades particulares. Normalmente de amigos. Vivemos no Sul da Califórnia, então não estamos exatamente isolados (risos). Portanto, barulho sempre é um problema quando há no seu quintal uma pista de FMX com dois ou três pilotos treinando todos os dias. Mas quando piloto, não escuto reclamações dos vizinhos. O que é uma grande coisa. Colocamos nosso dinheiro nessas pistas e propriedades. Caso fosse necessário desativá-las seria terrível.


Pela perspectiva financeira, dispensar a gasolina e o menor volume de manutenções tornam a Redshift atrativa apesar do maior investimento inicial


MotoX – Nate, você sabe, muitos pilotos são resistentes às motos elétricas. O que diz a eles?

Adams - Digo, “pilote uma”. Confiante que se pilotarem estaremos na mesma página. Entendo a hesitação, porque é diferente, e estão confortáveis na situação atual. Eles têm os esquemas deles, e funciona, não querem mudar. Atletas profissionais são muito reticentes quanto a algo ainda não comprovado. Também tive esses mesmos sentimentos, mas decidi tentar, e estou muito feliz. Tenho certeza que eles também estarão quando montarem na moto e acelerarem. 

MotoX – Você competiu no Best Whip dos X Games com a Redshift, como foi a experiência?

Adams - Foi muito divertido, sei que muita gente tinha fé em mim nos X Games. Além disso, todos falavam sobre mim, sobre a moto, faziam perguntas. Não apenas os fãs, digo meus companheiros pilotos. A pista era bem apertada, não havia muito espaço para aceleração saindo das curvas. E a Redshift foi incrível. Chamou muita atenção. Fiquei feliz em ser o primeiro a competir com uma moto elétrica nos X Games. Ainda mais com uma empresa como a Alta. Eles estão fazendo a coisa certa, construindo um grande produto. 

MotoX – Para fechar, o que vem em breve?

Adams - O que vem em breve… Muitos shows ao longo do verão. E o outono e o inverno será o mesmo. Para resumir: pilotar, pilotar, pilotar (risos). Será um ano cheio, com certeza, estou ansioso (Nate finaliza imitando o zumbido elétrico da Redshift).