Plmx Park

Motocross, Velocross, Oficina e Bar.
Aberto de segunda a sábado, das 9h as 18h

Month: outubro 2018

Red Bull Straight Rhythm 2018 – Pomona – CA

De volta ao passado, evento se renovou e fez a melhor de cinco edições

Red Bull Straight Rhythm 2018


A quinta edição do Red Bull Straight Rhythm foi a melhor da competição que completa cinco anos, sempre em linha reta. A organização foi aprimorada e a ação no circuito de 800 metros fluiu prendendo a atenção durante as duas horas e meia do evento.

Mas o principal ponto onde a organização acertou a mão, mesmo, foi na definição das categorias, destinadas exclusivamente às motocicletas dois tempos. O evento nos faz imaginar – para muitos sacramenta a certeza – que o nosso esporte caminhou na direção errada ao penalizar esse tipo de motor no regulamento.


KTM 250SX de Ryan Dungey


Vamos aos principais destaques do evento.

As motos dois tempos, obviamente, foram a grande atração do evento e confirmaram a grande empatia com o público. Desde o som, passando pela dinâmica, que exige um trabalho maior e mais plástico dos pilotos. Um certo saudosismo pairava no ar, misturado ao aroma do premix.


Ryan Villopoto e Josh Grant


A Red Bull é a principal idealizadora e promotora do evento, mas não monopolizou a competição. Pelo contrário, a transmissão abriu espaço nas entrevistas para atletas patrocinados por concorrentes como Mike Brown (Rockstar) e Ryan Villopoto (Monster) que exibiram seus bonés e uniformes sem restrição. Por ser um evento extraoficial aberto apenas a convidados, a marca poderia muito bem fazer algo mais restrito, mas prevaleceu a intenção de um bom espetáculo.


AJ Catanzaro e Luke Renzland


Aproveitando o saudosismo dois pilotos competiram com motos “retrô”. AJ Catanzaro alinhou com uma Kawasaki KX 125 James Stewart Réplica e conquistou a medalha de prata na classe 125. Luke Renzland alinhou com um uniforme de Jeremy Mcgrath dos idos de 91/92, quando a equipe Pro Circuit virou Team Peak Antifreeze. Na falta de uma Honda 2 tempos mais moderna e competitiva, foi utilizada uma Yamaha YZ 125 replicando as cores do Team Peak. De se notar que a YZ 250 de Ryan Villopoto branca e vermelha também estava linda!

Os bons e velhos carburadores voltaram à cena e parece que muitos dos mecânicos das equipes profissionais já haviam se esquecido de como lidar com os giclês. O francês Christophe Pourcel exagerou na mistura fina de sua Husqvarna TC 250 durante os treinos. Com a queda de temperatura durante a noite o motor não aguentou nem a primeira bateria de 800 metros. Dizem que Ryan Dungey também teve dificuldade para acertar sua KTM, chegando inclusive a levar a moto ao quartel general da equipe para um ajuste mais preciso.


Ryan Dungey e Shane Mcelrath disputaram a grande final da categoria 250


Apesar do nome das categorias 125 e 250, a limitação de cilindrada não estava exatamente ligada a esses números. A “125″ ia até 150cc, enquanto a 250 era na verdade uma categoria livre. A equipe Troy Lee KTM correu supostamente com motores 310cc – o motor de Dungey tinha os 250cc originais. Johnny Jelderda competiu com uma TM 300, enquanto Tyler Bowers estava inscrito com uma monstruosa Kawasaki KX 500, mas não competiu em razão de uma fratura na mão sofrida na Monster Energy Cup. Tinha também uma Alta elétrica, que não passou da primeira fase.

Ausentes: entre as ausências sentidas estavam a de Ken Roczen – se preparando para seu casamento – e Ronnie Mac, que estava lá, mas não correu por uma lesão no tornozelo.


Ryan Dungey e Ryan Villopoto se enfrentaram na semi-final


A idade não impediu o veteraníssimo Mike Brown de acelerar aos 47 anos de idade. Infelizmente não avançou muito durante a noite. Com o 16º tempo na qualificatória, pegou Ryan Dungey (1º tempo) logo de cara. Apesar de ser o mais “idoso” na pista, Brown não competia pelo título de “aposentado mais rápido” do evento. Essa disputa se restringiu a Dungey, Villopoto e Pourcel. Os dois últimos recém entraram na casa dos 30, Dungey está com 28 anos. Brown continua na ativa como embaixador da Husqvarna participando de competições selecionadas de Enduro, EnduroCross e Motocross ao redor do Mundo.


As costelas antes da chegada


Não sei se foi a pista ou as dois tempos proporcionaram maior equilíbrio, mas o evento deste ano apresentou o maior índice de chegadas decididas “na foto” desde sua criação. A seção de costelas antes da bandeirada também decidiu algumas disputas.

A organização também reduziu o tempo entre as largadas das disputas e os intervalos reduzidos. A transmissão ao vivo foi bem dinâmica e, com as boas disputas na pista, as duas horas e meia de evento passaram rapidinho.

X Games Sydney: O veredito!

Com o ouro do Freestyle definido nos instantes finais, a estreia dos X Games em Sydney entregou ao público emoção, apesar da chuva e ausência de nomes imp.
 Jose Gaspar – Fotos: Matt Morning e Phil Ellsworth/ESPN

 


Tom Pagès conquistou ouro no Freestyle com rotina mais multidimensional dos X Games Sydney


No fim de semana passado (20 e 21 de outubro) os X Games desembarcaram pela primeira vez em Sydney, Austrália. E pela relevância do país no freestyle motocross, a expectativa para o evento era enorme. Por isso, decidi pontuar para os leitores do MotoX.com.br o que mais me chamou a atenção, combinado a uma breve análise do Freestyle, Best Trick e Best Whip. 

Para começar, é importante destacar que dias antes fortes chuvas atingiram a região do evento, o que atrapalhou a construção da pista e levou a um formato do Freestyle no qual a prova era composta por apenas seis saltos. Além disso, ausências como Levi Sherwood, Clinton Moore e Jackson Strong também diminuíram um pouco o brilho da prova. O lado positivo é que abriram espaço para nomes menos conhecidos do público. 


Sem qualquer aparato móvel na rampa, Rob Adelberg venceu o Best Trick com o Front Flip no Hands


A situação da chuva levou os competidores a concentrarem-se numa área do percurso. Para quem assistia, a impressão era que os pilotos passavam mais tempo deslocando-se no chão do que propriamente manobrando. Contudo, aparentemente, mesmo em condições ideais, o percurso não teria a fluidez já vista em edições passadas dos X Games. Conceitualmente, a pista lembrava a edição de Minneapolis. Isto é, variedade de rampas, porém, sem saltos em sequência ou seções de ritmo.

Mas a realidade é que o Freestyle foi bastante emocionante. Com Tom Pagès e Josh Sheehan conquistando respectivamente ouro e prata na última e penúltima voltas. O bronze ficou com Rob Adelberg. Na primeira volta Pagès caiu ao pousar um Double Flip no Hands. Abriu a segunda volta com manobra igual, e depois disparou manobras como Volt, Alley-oop 540, Bikeflip e 360º. Construiu assim a rotina mais multidimensional da prova.


Em meio a Bike Flip, Double Flip e Front Flip, o 360º Seat Grab manobrado por Josh Sheehan ganhou destaque


Porém, curiosamente, a manobra que mais me chamou a atenção foi o 360º Seat Grab de Josh Sheehan. Executado com maestria, visualmente impactante e dessa forma restrito ao repertório do australiano. Faço menções ao Front Flip de Adelberg e ao Double Flip de Taka Highashino. No caso do japonês, pela perspectiva esportiva. Considero importante Higashino revigorar seu repertório. Mesmo com execuções perfeitas e manobras desafiadoras, seu ritmo de inclusão de saltos representando grandes rupturas costuma ser mais lento comparado a outros ponteiros do circuito internacional.

No Best Trick, Rob Adelberg levou ouro com o Front Flip no Hands. A retirada das mãos foi relativamente rápida. Porém, considerando o desafio e desbravamento neste tipo de salto, o “simples movimento” jogou o desafio nas alturas. E por falar em alturas, a palavra reflete bem o dilema do julgamento do Best Trick: Tom Pagès, prata no Best Trick, manobrou o front flip numa rampa com angulação mais acentuada, que o projetou com maior amplitude. E no duelo deslocamento no ar versus inovação, o julgamento dos X Games manteve sua tradição, e pendeu para Adelberg.


Ouro no Best Whip, Jared McNeil impressionou pelas angulações e movimentação sobre a moto nas entortadas


Para fechar, o Best Whip. A manobra original mostra que permanece atraente, e revigorada. E confirmando as expectativas, Jared McNeil levou ouro. O australiano alcançou angulações e trajetórias impressionantes. Para quem admira estilo e boa pilotagem, deleite puro. Fiquei um pouco surpreso com a segunda posição: Corey Creed. O australiano executou bons Turndowns, mas ao fim da prova confesso que tinha as inclinações e os Turn Up (entortada para as duas direções) do americano Axell Hodges (3º colocado) mais vivos na mente.

O Best Whip tem julgamento avaliando a impressão geral de todos os saltos, o que coloca diversas variáveis sob análise. Para minha sorte, desta vez estava no papel de espectador, apenas admirando o espetáculo de manobras e pilotagem. Até a próxima.


A Austrália contou com enorme contingente de pilotos, entre os quais o pouco conhecido Corey Creed, prata no Best Whip